Charge reflexiva sobre moradores de rua

É bastante comum nas imagens que circulam pela internet, termos textos não verbais que falam mais alto que qualquer texto verbal. Já vi dinâmicas que apelavam, ou melhor, usavam o mesmo recurso argumentativo deste que você pode ver na imagem. Nas dinâmicas falava-se que o maior impedimento para o sucesso estava dentro daquela caixa. Quando a pessoa olhada, sentia o baque e entendia que se as coisas não aconteciam é porque nós mesmos colocamos os limites. No caso,a pessoa que se olhava no espelho. Na imagem abaixo vemos uma situação bastante comum nas ruas hoje em dia. A presença de pedintes à porta de lugares movimentados é constante e, semelhante a pessoas invisíveis, continuam ali dia após dia. Bem, não farei a descrição da imagem. As aplicações são muitas  e podem muito bem servir para as aulas de interpretação de textos no Ensino Médio.


Exercício de análise de texto dissertativo

A proposta temática abaixo foi exigida por uma famosa banca de vestibular:
O cartum abaixo usa o recurso do humor para sugerir um tipo de relação entre o homem e os meios de comunicação.


Para você, os meios de comunicação devem sofrer alguma forma de controle, ou todo controle representa uma censura indevida?
Observe o texto argumentativo abaixo produzido por um candidato:

Monstros lutando com a informação
A imprensa de Gutenberg ajudou no processo e na fundação da imprensa contemporânea. Com a facilidade da difusão, os meios de comunicação se desenvolveram e atuaram de maneira primordial para o avanço da liberdade inicial. Essa relação entre mídia, informação e poder sempre foi controversa, em função do poder subversivo e controlador hipnotizante da primeira. A mídia é também veiculadora de informação e portadora de dados importantes para a opinião pública.
Os meios de comunicação escondem a percepção fundamental de que toda visão da realidade é uma visão da realidade. A pesquisa pode ser radical, o dado é verdadeiro e o jornalista é sério, mas, mesmo nesse mundo perfeito, o recorte torna a informação parcial. A informação pode ser tomada apenas, então, como um recorte, uma ideia comprometida.
Nesse sentido, é estranha a problemática encontrada com relação a temas tão polêmicos quanto a liberdade dos meios. Quando se exige democracia, liberdade de informação, o que se quer é pluralidade de visões. Ela não pressupõe que exista uma visão absoluta e a maioria chegará a ela. O sistema político vigente visa alcançar o mais próximo da justiça a partir da ligação entre visões e de interpretações do real e os meios de comunicação possibilitam essas diversas possibilidades de olhares. Quanto mais olhar, menos lugares enegrecidos em uma sociedade historicamente marcada pela injustiça baseada no discurso de poder.
Portanto, a liberdade de imprensa não deve ser questionada em nenhum sentido, já que é uma conquista. Obviamente excessos são cometidos pelos jornais. Entretanto, com a percepção de que existe uma realidade plural, a melhor forma de combater uma visão única é apresentar a diversidade. O perigoso, nesse caso, é surgir o monstro do autoritarismo que ronda. Política e internet, por exemplo, podem se ajudar reciprocamente em uma evolução que é necessária e deve ser constante, tornando qualquer controle uma afronta a um quadro que queira ser um conjunto de fragmentos libertários.
A partir da leitura crítica da redação, responda às questões:

1.  Em uma dissertação argumentativa, uma das funções básicas do primeiro parágrafo, o de introdução, além de contextualizar o tema é também o de apresentar a tese - o posicionamento a respeito do tema. Na sua opinião, o candidato executou essa tarefa com perfeição? Justifique a sua resposta, tecendo um comentário crítico.

2.  Observe o segundo parágrafo do texto, o primeiro de DESENVOLVIMENTO:
"Os meios de comunicação escondem a percepção fundamental de que toda visão da realidade é uma visão da realidade. A pesquisa pode ser radical, o dado é verdadeiro e o jornalista é sério, mas, mesmo nesse mundo perfeito, o recorte torna a informação parcial. A informação pode ser tomada apenas, então, como um recorte, uma ideia comprometida."

É perceptível nele uma falha no que diz respeito à construção coesiva dos períodos. Não há um elo semântico bem montado. Porém, além dessa falha, pode-se apontar também algo relacionado ao argumento em si. Qual a sua avaliação da qualidade do argumento? É convincente? Construa sua resposta com a devida justificativa.

3.  Na conclusão dissertativa, é comum ratificar a visão defendida ao longo do texto a fim de fechar seu teor argumentativo. No entanto, essa retomada da tese tem que ser feita de maneira ampla para que todos os argumentos sejam contemplados.

O parágrafo em análise na redação acima cumpriu com eficácia tais comandos? Justifique a sua resposta.

Solução comentada dos itens

1.  Uma falha ainda aparece no parágrafo. O redator demonstra entendimento claro do tema, mas se limita a expô-lo. A introdução deve pelo menos prenunciar a tese, sugerir uma linha de abordagem, se não quiser apresentar o posicionamento na íntegra.

2.  A ideia que sustenta a tese deve ser aprofundada. No desenvolvimento em questão, o argumento baseado na parcialidade da imprensa é apenas repetido de maneira constante. Não há explicações sobre o tópico frasal. O redator poderia também aprofundar as ideias trabalhadas com alguma outra estratégia como a causa e a consequência, por exemplo. O desenvolvimento, ainda, não apresenta nenhum recurso criativo que o diferencie da média. Nenhuma estratégia de texto circuito foi pensada previamente.

3.  Não. O principal problema da conclusão em questão é afirmar a tese com uma séria restrição do tema. A UERJ em 2008 propôs uma abordagem ampla na questão da informação ao usar o termo "meios de comunicação". O redator afirmou uma tese que não abrange todo o tema e ainda não abarca os argumentos apresentados porque trata apenas da imprensa. A banca examinadora poderia considerar uma restrição parcial, que seria atenuada pelo fato de a abordagem no texto todo ter sido ampla.

4.  Não houve pertinência, pois o termo "monstro do autoritarismo" não faz sentido com o restante do parágrafo e não encontra par em nenhum momento do texto.

5.  O parágrafo em questão apresenta uma ideia argumentativa e ela é aprofundada com certa competência. Entretanto, o trecho apresenta alguns erros estruturais.  Há, a  princípio,  um desequilíbrio de tamanho  na  relação entre esse desenvolvimento e os outros parágrafos. Provavelmente isso aconteceu porque ele foi bem aprofundado. Além disso, a coesão com o segmento anterior se dá de maneira muito explícita e com um período esvaziado de sentido. Isso torna o texto mais burocrático. Vale a pena, nesse momento, elaborar uma frase que retome parcialmente a ideia anterior, dando o gancho para o prosseguimento do argumento. No terceiro período, a retomada acontece de forma ambígua. O pronome pessoa "Ela" pode se referira mais de um termo anterior. Isso provoca uma falha coesiva. A melhor maneira de resolver isso é usar um sinônimo ou repetir a própria palavra, correndo o risco de provocar "eco". O verbo visar está sendo utilizado no sentido de "ter como objetivo". Nesse uso, ele é um verbo transitivo indireto. Então, ocorre um erro no critério de modalidade de língua portuguesa. No penúltimo período, aparece uma repetição: "possibilitam"e "possibilidade". Pode-se usar um sinônimo também. É visível, ainda, a falta de um recurso diferencial.

Satisfazer o Ego - Charge sobre o Facebook

Sempre vejo charges relacionadas ao uso excessivo que algumas pessoas fazem do Facebook. realmente eu concordo que pé instigante. Nem tanto por saber o que os amigos publicam, mas por ver a quantidade de informação produzida na internet. Informação de qualidade. Existe sim muita gente preocupada em disseminar conhecimento e é inegável que saber usar a ferramenta é essencial para que não se fique por horas rodando a timeline vendo mensagens e mais mensagens, vídeos, imagens e tudo mais que atrai a atenção de tal forma que mesmo eu, usuário antigo da internet, me vejo, às vezes, parado acompanhando as muitas menções e tudo mais ali na tela. Mas há quem tenha problemas com isso. Vejam a imagem abaixo que instigante.



Nela vê-se as letras usadas como ícone da rede social funcionando como espécies de algemas. Não sei bem o nome disso, mas costumo ver em filmes de tortura. A referência aqui é clara e dispensa maiores comentários. O Facebook nos prende. Concordo que é uma prisão da qual podemos sair rapidamente, mas quem é que disse que as pessoas desejam sair de lá?

Já guardei para minhas aulas de produção de texto no próximo ano. Como tema dissertativo, funcionará perfeitamente para os alunos que enfrentarão o vestibular e o Enem.

E você? tem alguma sugestão de tema que poderíamos trabalhar com esta imagem?

Temas?


  • Controle social.
  • Dependência tecnológica das redes sociais (ficou ambíguo, né?)

Modelo de redação sobre o tema XENOFOBIA

Neste blog o foco sempre foi a análise de charges para desenvolver textos dissertativos no vestibular. Mas não se pode negar que o texto escrito é ainda o "mais importante" na hora de escrever e que isso, junto com a habilidade de ler textos não verbais ajuda demais na hora da prova. O texto abaixo, no entanto, completa o artigo que publiquei lá no blog de redação. Este texto é mais um exemplo de dissertação publicada por alunos a respeito do tema que usamos para mostrar como fazer delimitação de tema na dissertação. É mais um artigo lá no projeto redação para o Enem e serve como modelo para preparação pro vestibular. Estude e veja as características da prova que vai fazer. Procure conhecer a banca, os critério de correção e as listas de livros que são pedidos para a prova de Português. Veja, então, o modelo de dissertação que hoje trazemos para vocês.

O ódio fruto da crise
O surgimento do neonazismo e do neofascismo é um dos efeitos colaterais mais alarmantes decorrentes da política do capitalismo selvagem que reina no atual mundo globalizado. Desprezar tal ocorrência implica um total desconhecimento dos absurdos propagados pela procura obsessiva do lucro em desconsideração dos fatores sociais.
Com a queda do comunismo, na geopolítica fala-se agora de um mundo multipolarizado, com diversos focos de influência. Em prol desta filosofia, escolhe-se parceiros para a formação de blocos econômicos, visando proporcionar maior prosperidade entre tais países.
Contudo, se na teoria tudo parece caminhar para a felicidade mundial, na prática a realidade é outra. A concentração dos recursos volta-se prioritariamente a implementações tecnológicas, aumentando a concorrência mas eliminando postos de emprego. As políticas nacionais dão incentivos fiscais às empresas, que nem sempre correspondem às expectativas, proporcionando desigualdades económicas ainda maiores, havendo, por outro lado, descaso com os projetos sociais.
Ora, colocado à parte o recrudescimento dos conflitos étnicos na Europa e Oriente Médio, por serem preexistentes à nova ordem mundial, a formação de novos grupos radicais é facilmente justificada por essa conjuntura. Com efeito, o indivíduo desfavorecido em determinada sociedade é mais facilmente suscetível a eleger os "culpados"por sua situação, seja de dificuldades financeiras, de desemprego ou de pobreza. E é exatamente este fenómeno que pode ser reputado o mais nocivo nos dias atuais, não só por ser mortífero, mas também por ressuscitar o fantasma das grandes guerras da primeira metade do século XX.
Portanto, é imprescindível que os políticos do mundo globalizado envidem esforços no sentido de refrear a ânsia capitalista, estimulando o desenvolvimento do indivíduo nacional tanto social como economicamente, através de uma injeção de capital nos setores mais carentes como a educação e a saúde. A mera repressão dos movimentos radicais certamente surte menos efeito do que a criação de novos empregos, objetivo que pode ser alcançado com uma reformulação das políticas tributárias e trabalhistas.

Exemplo de charge sobre Xenofobia


Veja ainda uma charge que você pode usar como texto na coletânea sobre o tema deste artigo.
Observe que ela faz um recorte no tema, ela aborda a questão do programa Mais Médicos do Governo Federal através do qual médicos cubanos vêm ao brasil para completar as vagas deixadas por brasileiros nos hospitais e postos de saúde de comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Charge sobre Formação de palavras

Esta imagem não é necessariamente uma charge. Se fôssemos classificá-la dentro dos Gêneros Textuais, ela é uma tirinha. Neste caso, temos uma imagem perfeita para trabalharmos com um conteúdo próprio para os primeiros anos do ensino médio. Ela está num dos meus exercícios aplicados no Ensino Médio. Não há muita dificuldade em entendê-la, pois o que vemos tanto no texto verbal com no não-verbal é evidente. Temos uma fila de camelos esperando a vez de pular numa cama elástica. O humor da tirinha está na placa que vemos em segundo plano. Nela se lê "camelástica". A palavra, formada por aglutinação visto que na junção das palavras camelo e elástica, chama a nossa atenção. Para quem não se lembra, o processo é chamado de aglutinação porque há perda fonética na junção delas. Se você quiser ir além, pode ainda elaborar uma pergunta falando sobre outra figura de linguagem presente na imagem. O barulho do camelo pulando na "camelástica" é uma onomatopeia.


Deixe seu comentário abaixo a respeito do que achou desta charge. Um abraço do professor Rogério Souza.

ANÁLISE DE CHARGE SOBRE A REFORMA ORTOGRÁFICA

A Reforma Ortográfica tem sido assunto recorrente em minhas aulas para o Ensino Médio. Considerando que é um tipo de texto usado muitas vezes nos vestibulares, considero importantes os exercícios de interpretação de charges. Não só pela proximidade da data limite em que todos os livros deverão estar adequados à nova ortografia, mas também pela quantidade de alunos que farão vestibular. Este é também o assunto da charge abaixo.

Charge
Vejam como é difícil a vida de professor.

Nesta imagem temos, de forma simples, representados os dois lados mais interessados nas novas mudanças na ortografia. De um lado, o aluno e sua linguagem característica. Do outro, a figura da professora é emblemática.

Os elementos constitutivos dessa charge nos chamam a atenção para coisas simples e que são objeto de estudo dos teóricos da língua. O jovem usa uma linguagem própria de sua idade. A fala coloquial cheia de gírias traz em si também palavras estrangeiras. Isso demonstra a influência dos outros idiomas no linguajar dos jovens.
Sobre este aspecto, o uso do negrito destaca, a meu ver, a permanência desse tipo de linguajar como predominante.

Já a figura da professora revela uma faceta interessante sobre alguns docentes. O ponto de interrogação sobre sua cabeça, mostra que ela não está entendendo nada do que o jovem diz. Isso mostra o despreparo dela para lidar com uma linguagem própria da idade de seus alunos o que acaba sendo uma barreira dentro das próprias aulas, pois o professor usa uma língua que o aluno não entende. O aluno usa uma língua que o professor não entende.
Aproximar esses dois mundos é tarefa do professor e disso depende o sucesso de seu trabalho.

Análise de Charge sobre a Vida Moderna

As mudanças pelas quais o mundo tem passado mudaram os costumes, mudaram as expectativas. Muitas delas acabaram sendo incorporadas de tal forma que é difícil desligar-se até quando dormimos. É sobre isso a Análise da Charge que coloco abaixo.


Não sei a procedência dessa tirinha a não ser pelo texto na imagem, mas ela resume bem o que é nossa vida, ou pelo menos, a vida da maioria das pessoas que certamente lerão este post de análise de charges.

Usamos o computador durante o trabalho, usamos em casa para fazer nossas atividades como pagar contas pela internet, ler as notícias em tempo real. Também usamos o computador quando queremos nos divertir. Seja lendo os melhores blogs de humor, seja vendo os vídeos mais vistos no Youtube ou até mesmo estudando para os concursos públicos que por aí virão. Usamos o computador pra praticamente tudo.

O problema é que um sábio da antiguidade já dizia que "dos muitos trabalhos vêm os sonhos". De tanto usá-lo, acabamos por sonhar com isso. Espero que não seja sua realidade e que você consiga livrar-se do estresse de sonhar, por exemplo, que não tem conexão. Digo isso porque eu já sonhei.
Como esta é uma charge sem muitos recursos não-verbais, não explorarei a análise desses elementos e sim

Charge sobre compra de material escolar

Começo de ano é sempre a mesma coisa. Pais correm às lojas para adquirir o material escolar pelo melhor preço. Pesquisam na internet, vão às grandes lojas de departamentos, papelarias, mas o resumo é sempre o mesmo: filhos querendo materiais de marcas, pais querendo descontos e tudo mais que, quem é pai, sabe bem. A charge abaixo retrata exatamente esta situação. Vamos à imagem:


A cena é típica: um pai vai às compras levando o filho. Criança pequena, dentro do carrinho em contato com o material escolar. O que me chama a atenção em primeiro lugar é, é claro, o lápis cravado nas costas do pai. Isso remete claramente à expressão popular "levar uma facada" que é usada quando ficamos com a impressão de que pagamos muito mais do que algo vale ou muito mais do que queríamos pagar.

A segunda impressão causada vem do carrinho transbordando material escolar. Isso faz referência ao exagero de algumas escolas ao montar a lista de materiais a serem comprados pelos pais. Pilhas de folhas, cadernos, canetas de todo tipo, latas de tinta e tudo mais.
Esta é a realidade e todos que temos filhos passaremos por isso, se é que não passamos já.

Charge de casamento em tempos modernos

A modernidade está aí e precisamos nos acostumarmos a ela. Lembro-me que, certa vez, uma amigo disse que nunca se deve confiar plenamente num e-mail ao marcar uma reunião. Inúmeros problemas podem acontecer. Eu mesmo já fiquei dias sem conexão.

É mais que necessário termos alternativas de comunicação. isso é o que retrata a charge abaixo:

casamento_modernidade
Viram que problemão. Claro, é uma situação coerente com o gênero em questão: charge.

Neste gênero, os aspectos cômicos são retratados exageradamente para que seja evidenciado para o leitor de forma que produza efeito de humor.

Charge sobre o combate ao estresse

O estresse na vida moderna é enorme. Quantas vezes ao chegar depois de um dia estressante não desejamos simplesmente descansar. Como se fosse possível, esta charge apresenta uma situação hipotética na qual a pessoa, ao dormir tira os olhos para descansar. A referência ao hábito antigo de colocar as dentaduras num copo ao lado da cama é clara. Assim como tirar as dentaduras representava o fim das atividades rotineiras, tirar os olhos é sinal de que o descanso merecido, ou não, chegou.

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