Redação do Enem - Análise e comentários

Veremos neste artigo um exemplo de proposta de redação e de sugestões para deixá-la coerente com o que se pede no Enem.

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema AS NECESSIDADES BÁSICAS DO SER HUMANO, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto I

Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida A gente quer comida Diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída Para qualquer parte... A gente não quer só comida A gente quer bebida Diversão, balé A gente não quer só comida A gente quer a vida Como a vida quer...
Arnaldo Antunes
Texto II

Eu lembraria que são bens incompressíveis não apenas os que asseguram sobrevivência física em níveis decentes, mas os que garantem a integridade espiritual. São incompressíveis certamente a alimentação, a moradia, o vestuário, a instrução, a saúde, a liberdade individual, o amparo da justiça pública, a resistência à opressão etc.; e também o direito à crença, à opinião, ao lazer e, por que não, à arte e à literatura?",
Antonio Cândido, O Direito à Literatura
REDAÇÃO

As necessidades do homem
Iphones. Ipods. Imacs. Ipads. Computadores de última geração. Roupas de marca. Jóias. Carros importados. Habitação. Acesso à diversão e cultura. Viagens. Saúde e educação de qualidade. Com a Revolução Industrial, o conceito de necessidade começa a modificar-se. Nesse sentido, é possível dizer que, quando tal impulso ganha espaço no contexto sócio-político, o entendimento do que é indispensável à vida inverte-se.
O capitalismo é o principal responsável pelo consumismo, que se estabelece na vida das pessoas quase que numa relação de necessidade absoluta. Isso porque esse sistema incentiva a busca desenfreada por lucros, estimulando um modelo de vida em que a felicidade é alcançada a partir da obtenção de bens. Dessa forma, resta perceber que todo contato humano passa a basear-se na troca, já que, até mesmo as relações mais circunstanciais, são fundamentadas em um mínimo interesse, o que gera uma espécie de coisificação das relações pessoais, como afirmou Karl Marx.
Outra questão que influencia a mudança da definição de necessidade é o fato desse ser criado a partir de padrões sociais excludentes. Como apenas a classe social com maior poder aquisitivo tem acesso pleno ao que é visto como essencial, ela torna-se o exemplo a ser seguido pelas outras classes sociais. Dessa forma, as classes sociais menos favorecidas funcionam como engrenagem para a manutenção do sistema capitalista.
A humanidade abandonou a chamada "era dos homens" para adentrar a "era das coisas". Com isso, bens antes vistos como luxos, hoje são vistos como necessidades básicas, ao passo que é crescente a insatisfação da maior parte da sociedade por não ter acesso a eles. Para mudar essa situação, é necessário que se criem leis que garantam o acesso irrestrito a todos os bens materiais e imateriais a todos os grupos sociais. Pois só assim a sociedade conseguirá de fato produzir uma realidade mais igual.
COMENTÁRIOS SOBRE A REDAÇÃO

Introdução

Iphones. Ipods. Imacs. Ipads. Computadores de última geração. Roupas de marca. Jóias. Carros importados. Habitação. Acesso à diversão e cultura. Viagens. Saúde e educação de qualidade. Com a Revolução Industrial, o conceito de necessidade começa a modificar-se. Nesse sentido, é possível dizer que, quando tal impulso ganha espaço no contexto sócio-político, o entendimento do que é indispensável à vida inverte-se. Comentário: A função da introdução é, além apresentar o tema, se posicionar sobre o assunto. No caso acima, o aluno utiliza o flash para introduzir o tema, o que se mostra como um recurso interessante, pois faz com que o leitor visualize imagens sobre o assunto que irá ser abordado. No entanto, esse recurso foi mal usado, pois o aluno utiliza muitos elementos quando cita as imagens, o que faz com que esse recurso fique muito extenso no parágrafo e, em vez de contextualizar o leitor, provoca um distanciamento inadequado entre a contextualização e a tese. Ele também utiliza o nome das marcas que, embora sejam conhecidas, devem ser evitadas.
Outra questão problemática é que o aluno afirma que o conceito de necessidade muda a partir da Revolução Industrial, mas não explica o porquê de isso ocorrer. Além disso, não apresenta o posicionamento claro e objetivo exigido pelo ENEM, pois sua tese fica implícita a partir da consideração de que "o entendimento do que é indispensável à vida inverte-se".

Sugestão de reescritura

Aparelhos eletrônicos. Roupas de marca. Habitação. Acesso à diversão e cultura. Saúde e educação de qualidade. A partir da Revolução Industrial, o conceito de necessidade começa a modificar-se, pois o homem deixa de buscar apenas aquilo que era essencial para sua subsistência e passa a voltar seu interesse ao supérfluo. Nesse sentido, é possível dizer que, quando tal impulso ganha espaço no contexto sócio-político, o entendimento do que é indispensável à vida inverte-se, uma vez que o consumo sobrepõe-se aos bens coletivos e imateriais.

Desenvolvimento 1

O capitalismo é o principal responsável pelo consumismo, que se estabelece na vida das pessoas quase que numa relação de necessidade absoluta. Isso porque esse sistema incentiva a busca desenfreada por lucros, estimulando um modelo de vida em que a felicidade é alcançada a partir da obtenção de bens. Dessa forma, resta perceber que todo contato humano passa a basear-se na troca, já que, até mesmo as relações mais circunstanciais, são fundamentadas em um mínimo interesse, o que gera uma espécie de coisificação das relações pessoais, como afirmou Karl Marx.

Comentário: A função dos parágrafos de desenvolvimento (argumentação) é discutir o tópico frasal escolhido a fim de problematizar um nicho da proposta. É fundamental que em cada parágrafo o redator defenda um ponto de vista claro e objetivo, pois somente o aprofundamento do debate pode garantir ao texto a qualidade argumentativa cobrada pelas bancas de vestibular.
No primeiro parágrafo de desenvolvimento, o redator do texto defende o argumento de que "o capitalismo é o principal responsável pelo consumismo, que se estabelece na vida das pessoas quase que numa relação de necessidade absoluta", o que significa dizer que a qualidade de vida no sistema capitalista é pautada pela obtenção de recursos materiais, o que pressupõe, é claro, a exclusão de uma parcela significativa da população. Esse argumento é bastante defensável e dialoga parcialmente com sua tese, no entanto, é preciso destacar alguns equívocos do ponto de vista formal do texto. Primeiro, o autor não expos da forma mais clara possível o seu tópico frasal. O período é confuso e as ideias se repetem. Depois ele apresenta a ideia de que tal sistema econômico é também simbólico ao dizer que ele "incentiva a busca desenfreada por lucros, estimulando um modelo de vida", porém o autor não dá nenhum exemplo de como isso ocorre, o que dificulta o entendimento do argumento. Por último, é importante perceber que o redator utiliza um interessante mecanismo, que é o uso do argumento de autoridade. No entanto, ele não deixa claro o conceito além da redação do texto também não contribuir para que a estratégia funcione da melhor forma possível.

Sugestão de reescritura

Na perspectiva capitalista, o ato de consumir deixa de ser uma opção e torna-se uma necessidade para a sociedade. Isso porque esse sistema incentiva a busca desenfreada por lucros, estimulando, inclusive por meio da mídia, um modelo de vida em que a felicidade é alcançada a partir da obtenção de bens. Dessa forma, como afirma Karl Marx em seu conceito de Fetichismo da mercadoria, todo contato humano passa a basear-se na troca, já que, até mesmo as relações mais circunstanciais, são fundamentadas em um mínimo interesse, o que gera uma espécie de coisificação das relações pessoais.

Desenvolvimento 2

Outra questão que influencia a mudança da definição de necessidade é o fato desse ser criado a partir de padrões sociais excludentes. Como apenas a classe social com maior poder aquisitivo tem acesso pleno ao que é visto como essencial, ela torna-se o exemplo a ser seguido pelas outras classes sociais. Dessa forma, as classes sociais menos favorecidas funcionam como engrenagem para a manutenção do sistema capitalista.

Comentário: O aluno, no 2° parágrafo de argumentação, relaciona o conceito de necessidade com a ideia de manipulação do sistema capitalista. É um argumento forte e bem-vindo, mas, no caso, ele é mal fundamentado. Isso porque o aluno cita que a classe social com maior poder aquisitivo torna-se exemplo para as demais classes sociais, mas não explica a relevância dessa constatação para o seu argumento. Além disso, conclui que "as classes sociais menos favorecidas funcionam como engrenagem para a manutenção do sistema capitalista", mas não desenvolve essa ideia, mostrando como isso ocorre.
Outro problema apresentado pelo aluno é a repetição da expressão "classe social". Esse tipo de repetição é inadequado porque, além de tornar a leitura cansativa, mostra que o aluno não domina muito bem os recursos coesivos que dão conta de conectar o texto sem que ele fique repetitivo.

Sugestão de reescritura

Outra questão que influencia a mudança da definição de necessidade é o fato desse ser criado a partir de padrões sociais excludentes. Como apenas a classe social com maior poder aquisitivo tem acesso pleno ao que é visto como essencial, ela torna-se o exemplo a ser seguido pelas outras camadas, que acabam por produzir mais na expectativa de alcançar a tão sonhada qualidade de vida. Dessa forma, as parcelas sociais menos favorecidas funcionam como engrenagem para a manutenção do sistema capitalista, pois elas garantem a mão de obra necessária para a produção de bens que, na maioria das vezes, não poderão consumir.


Conclusão

A humanidade abandonou a chamada "era dos homens" para adentrar a "era das coisas". Com isso, bens antes vistos como luxos, hoje são vistos como necessidades básicas, ao passo que é crescente a insatisfação da maior parte da sociedade por não ter acesso a eles. Para mudar essa situação, é necessário que se criem leis que garantam o acesso irrestrito a todos os bens materiais e imateriais a todos os grupos sociais. Pois só assim a sociedade conseguirá de fato produzir uma realidade mais igual.

Comentário: Na conclusão das redações de propostas ENEM, existem duas tarefas fundamentais: a primeira é a retomada da tese, que possibilita o fechamento do texto além de uma reflexão sobre o acumulado ao longo da dissertação; a segunda tarefa é a apresentação de proposta de conscientização social (proposta de intervenção) que respeite os direitos humanos.
Na conclusão do texto, o redator retoma a tese a partir do conceito, já apresentado, de coisificação de Karl Marx. Seria interessante que a fonte fosse citada, pois isso garantiria a formação de um circuito textual, além de garantir a legitimidade da tese. Além disso, a proposta de intervenção citada é vaga e não atende à demanda de todas as problemáticas levantadas ao longo do texto. Por último, destaca-se o uso de ponto antes da conjunção, pois que, no geral, é utilizada para ligar orações coordenadas. No caso em questão, o mais correto seria a utilização de vírgula em lugar do ponto.

Sugestão de reescritura

Assim, segundo a perspectiva marxista, a humanidade abandonou a chamada "era dos homens" para adentrar a "era das coisas". Com isso, bens antes vistos como luxos, hoje são vistos como necessidades básicas, ao passo que é crescente a insatisfação da maior parte da sociedade por não ter acesso a eles. Para a mudança dessa situação, é necessário o investimento em debates, nas escolas e instituições coletivas, que promovam a reflexão acerca da supervalorização dos bens materiais. Além disso, a partir dessa reflexão, deve haver programas do governo que viabilizem o consumo consciente da população, promovendo a todos a real possibilidade de alcance do que é preciso para uma vida plena.

COMENTÁRIO GERAL

As redações estilo ENEM se caracterizam, sobretudo, por suas especificidades formais. Cumprir os critérios ENEM significa dominar uma quantidade grande de atributos específicos de um texto. Daí a dificuldade que muitos encontram em aplicar de forma adequada os recursos interdisciplinares e a proposta de conscientização social (proposta de intervenção). É por isso que o planejamento do texto constitui-se como um mecanismo fundamental à boa produção de textos.
O tema "As necessidades do homem" busca a reflexão sobre o conceito de necessidade e sobre como essa ideia modificou-se a partir do período de vigência do regime capitalista de produção. É fundamental que o redator do texto tenha em mente a importância acerca dos motivos que levaram a humanidade a alterar seus valores em relação àquilo que é crucial à vida. É claro que também se deve levar em conta a impossibilidade de se viver sem alguns bens materiais que se sacramentaram na vida das pessoas com o passar do tempo, tal como a energia elétrica e alguns aparelhos eletrônicos. O fundamental é que o redator defenda de forma clara um ponto de vista que não desrespeite os direitos humanos, mas que problematize todas as questões pertinentes à alteração dos valores e até mesmo da inversão desses na lógica consumista de vida.
No texto "As necessidades do homem", o redator conseguiu depreender de forma razoável o tema. Sua abordagem é inteligente e comporta um vasto campo de possibilidades argumentativas. No entanto, sua tese, por ficar suspensa, caracteriza uma falha argumentativa muito grave, pois a banca ENEM é clara ao dizer que o candidato deve defender um posicionamento claro e objetivo.
Também é importante notar que há algumas falhas estruturais ao longo do texto que não o comprometem em sua totalidade, mas parcialmente podem trazer dificuldades de entendimento, além de caracterizar equívocos coesivos. Há poucas incorreções gramaticais, mas é importante que se perceba que o uso repetitivo de algumas palavras torna o texto, em alguns momentos, redundante e enfadonho.
Por último, vale ressaltar que a criatividade é sempre um elemento chave para a produção de um bom texto. Por isso, é possível dizer que a estratégia argumentativa utilizada pelo redator - argumento de autoridade - contribui para a fundamentação da tese, além de deixar o texto mais fluido. No entanto, é importante que outros dois aspectos criativos do texto sejam revistos: o primeiro é o título, que claramente é clichê, pois se trata da transcrição de parte da frase-tema; o segundo é a proposta de intervenção, que ocupa a plataforma 5 dos critérios ENEM, e, no texto "As necessidades do homem", foi mal desenvolvida.

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UMA POSSÍVEL REDAÇÃO EXEMPLAR

Realidade coisificada
Aparelhos eletrônicos. Roupas de marca. Habitação. Acesso à diversão e cultura. Saúde e educação de qualidade. A partir da Revolução Industrial, o conceito de necessidade começa a modificar-se, pois o homem deixa de buscar apenas aquilo que era essencial para sua subsistência e passa a voltar seu interesse ao supérfluo. Nesse sentido, é possível dizer que, quando tal impulso ganha espaço no contexto sócio-político, o entendimento do que é indispensável à vida inverte-se, uma vez que o consumo sobrepõe-se aos bens coletivos e imateriais.
Na perspectiva capitalista, o ato de consumir deixa de ser uma opção e torna-se uma necessidade para a sociedade. Isso porque esse sistema incentiva a busca desenfreada por lucros, estimulando, inclusive por meio da mídia, um modelo de vida em que a felicidade é alcançada a partir da obtenção de bens. Dessa forma, como afirma Karl Marx em seu conceito de Fetichismo da mercadoria, todo contato humano passa a basear-se na troca, já que, até mesmo as relações mais circunstanciais, são fundamentadas em um mínimo interesse, o que gera uma espécie de coisificação das relações pessoais.
Outra questão que influencia a mudança da definição de necessidade é o fato desse ser criado a partir de padrões sociais excludentes. Como apenas a classe social com maior poder aquisitivo tem acesso pleno ao que é visto como essencial, ela torna-se o exemplo a ser seguido pelas outras camadas, que acabam por produzir mais na expectativa de alcançar a tão sonhada qualidade de vida. Dessa forma, as parcelas sociais menos favorecidas funcionam como engrenagem para a manutenção do sistema capitalista, pois elas garantem a mão de obra necessária para a produção de bens que, na maioria das vezes, não poderão consumir.
A humanidade abandonou a chamada "era dos homens" para adentrar a "era das coisas". Com isso, bens antes vistos como luxos, hoje são vistos como necessidades básicas, ao passo que é crescente a insatisfação da maior parte da sociedade por não ter acesso a eles. Para a mudança dessa situação, é necessário o investimento em debates, nas escolas e instituições coletivas, que promovam a reflexão acerca da supervalorização dos bens materiais. Além disso, a partir dessa reflexão, deve haver programas do governo que viabilizem o consumo consciente da população, promovendo a todos a real possibilidade de alcance do que é preciso para uma vida plena.

Mergulhar fundo no amor romântico

Numa época de tanta interação social por meio da internet, não é difícil encontrar quem tenha se dedicado a outro e, no fim se decepcionou. As relações virtuais são, na maioria das vezes, apenas isso, virtuais. Nos apaixonamos pela imagem de alguém, pelo que ela nos diz, pelas sensações provocadas, mas se não houver olho no olho, podemos estar como a imagem bem representa: fadados a nos machucar. A charge abaixo casa perfeitamente com o período literário que tem sido tema em outros sites da minha rede educativa. Falar de ilusão, de sofrimento é perfeito para o Romantismo, por isso mesmo incentivo você a ler o artigo sobre isso lá no Mais Educativo, meu site voltado para o Enem.


A figura de alguém que mergulha de cabeça em algo é fartamente usada nas representações do amor. A sociedade incentiva isso, induz o jovem a aproveitar os momentos porque eles não voltam mais. Posso afirmar seguramente que eles não voltam, mas isso não significa, nem de longe, que não existirão outros momentos bons ou até mesmo sensacionais. Quando o jovem aproveita o momento sem se dar conta do futuro, quebra a cara como o personagem da imagem.

A Geração do Mal do Século - Romantismo


Esta geração surgiu na década de 1850, quando o nacionalismo e o indianismo deixavam de fascinar a juventude e iniciava-se o longo processo de estabilidade do II Império. Por outro lado, o desenvolvimento urbano, o nascimento de uma vida acadêmica em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife e, até mesmo, uma relativa sofisticação dos estratos médios e superiores da estrutura social brasileira possibilitaram a criação de uma lírica voltada quase que exclusivamente para a confissão e o extravasamento íntimo. A nova geração foi influenciada pelos poetas inglês Lord Byron e francês Alfred Musset, autores ultra-românticos que haviam se tornado os modelos universais de rebeldia moral, de recusa à insipidez da vida cotidiana e de busca de novas formas de sensualidade e de afeto. De sua imitação, resultou, quase sempre, o pastiche. Até sociedades satânicas, a exemplo das existentes na Europa, foram fundadas. Os adolescentes que as compunham viviam pretensas orgias e dissipações fantasiosas, que resultavam da leitura e das imaginações pervertidas. Na verdade, a pobreza do meio e a rigidez patriarcal impediam que este satanismo tivesse qualquer importância no contexto estético e ideológico brasileiro.
Outro fato sempre lembrado desta geração é a dramática coincidência de quase todos os seus integrantes morrerem na faixa dos vinte e poucos anos. Versos soltos e alguns poemas parecem alimentar a suspeita de que esses jovens cultivavam ideias suicidas. No entanto, todos eles - à parte o caso mais complexo de Álvares de Azevedo - foram vitimados por doenças então incuráveis e manifestaram grande horror perante a morte. Não se sustenta, portanto, a ideia de um suicídio coletivo geracional.

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ÁLVARES DE AZEVEDO (1831 -1852)

VIDA: Nasceu na cidade de São Paulo e era descendente de duas ilustres famílias. Toda a formação básica e secundária de Manuel Antônio Álvares de Azevedo foi feita na capital do Império. A leitura desenfreada dos ultra-românticos, a solidão e o desejo insatisfeito pareciam deprimi-lo, aproximando-o de inclinações mórbidas. No início de 1852, a tísica se manifestou. Como disse um de seus biógrafos: "O infeliz byroniano que durante anos declamara versos macabros por mero esnobismo via com horror chegar a sua morte." Neste momento dramático, escreveu alguns de seus poemas mais desesperados. A tísica destruiu as imunidades de seu organismo. Poucos dias depois morreu. Era abril de 1852 e faltavam cinco meses para que completasse vinte e um anos de idade. Nenhum de seus livros tinha sido publicado. E a "glória que pressinto em meu futuro" , como ele diz em um de seus poemas, viria após o falecimento.
OBRAS:
  • Lira dos vinte anos (poemas - 1853)
  • Noite na taverna (contos -1855)
  • O conde Lopo (poema - 1886)
  • Macário.
AMOR
É a parte menos convincente de sua lírica. A máscara satânica que tenta usar peca pela falsidade. As orgias em que submerge, os vícios que o escravizam e as dissipações que o arrastam para o lodo hoje provocam o riso do leitor. E não apenas porque o jovem escritor tenha ficado, de fato, virgem dessas vivências tresloucadas, mas porque - em seus poemas de "crimes morais e maldições" - poucos versos têm poder de persuasão e quase nada inquieta ou sobressalta. Veja-se o tom falso deste excerto:
E porte amar, por teu desdém, perdi-me...
Tresnoitei-me em orgias, macilento,
Brindei, blasfemo, ao vício, e da minh'alma
Tentei me suicidar, no esquecimento!
AMOR E MEDO
No entanto, como bem observou Mário de Andrade, o autor de Lira dos vinte anos (esse Dom Juan das aparências) acaba sendo traído pela própria interioridade. O grande devasso, o amante cínico, revela inconscientemente um medo obscuro das relações amorosas. Este medo se traduz, por exemplo, através da imagem da mulher adormecida. Numa série de poemas, a preparação erótica e a vontade sexual do adolescente se frustram, pois ele não quer acordar ("profanar") o objeto de seu desejo:
Ó minha amante, minha doce virgem,
Eu não te profanei, e dormes pura
No sono do mistério, qual na vida,
Podes sonhar ainda na ventura.
Em Soneto, um de seus textos melhor elaborados, Álvares de Azevedo descreve o sono da amada e cria sutil atmosfera que passa da idealização à sensualidade:
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre nuvens de amor ela dormia!
Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
— Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos, as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Os textos e a as situações sociais

Para explicar os segredos do sucesso no mundo empresarial, o que um jornalista deveria produzir?
Dificilmente, você pensará em um verbete de enciclopédia, um poema, uma letra de canção, um rótulo de produto alimentício, um cardápio, um conto/uma fábula ou uma HQ. E porquê?
Espera-se que um jornalista, em razão da função que desempenha, escreva artigos de opinião, editoriais, notícias, que faça entrevistas, análises econômicas, políticas, esportivas, dependendo do segmento em que atua, pois esses são os gêneros mais comuns à esfera jornalística.
Na verdade, certas profissões, situações e organizações sociais podem estar associadas a um número limitado de tipos de textos. O uso ordenado desses textos constitui, em parte, a própria atividade e organização dos grupos sociais.
Assim, as pessoas vão criar novas realidades de significação, relações e conhecimento, fazendo uso de certos textos.
Pense agora na sua escola, onde circulam alunos e professores. Em um conselho de classe, os docentes, os coordenadores e o diretor decidem os critérios relacionados ao sistema de avaliação. Esses critérios são registrados em ata. Após essa decisão conjunta, cada educador, em sua disciplina, deverá avaliar seus alunos utilizando pelo menos quatro instrumentos diferentes, como, por exemplo: um teste escrito de múltipla escolha, uma prova dissertativa, um seminário, um conjunto de exercícios práticos, um estudo de caso, um relatório de leitura, uma apresentação oral em feira escolar, um ensaio, um relatório de experiência, entre outros. Assim, os professores receberão um memorando, e os estudantes, um documento de orientação para que, no decorrer do bimestre, possam produzir os quatro tipos de textos escolhidos para compor a nota bimestral. Os resultados obtidos serão registrados em boletins expedidos aos pais. Ao término de um nível, se todas as exigências forem cumpridas, os alunos receberão seus certificados.
http://maiseducativo.com.br/curso-portugues-pra-passar/Toda essa sequência de eventos gera muitos textos, que só foram produzidos porque ocorreram fatos sociais. Em geral, esses registros não poderiam existir se as pessoas não os realizassem por meio da criação textual: ata, memorando, teste, seminário, estudo de caso, relatório de leitura, boletins, certificados e assim por diante. Nesse ciclo de textos e atividades são constituídos sistemas organizacionais bem articulados nos quais tipos específicos de textos circulam por caminhos previsíveis, com consequências já conhecidas e, de certo modo, de fácil compreensão.

Para entender e revisar, veja este resumo abaixo:

  • Cada texto encontra-se encaixado em atividades sociais estruturadas e depende de textos anteriores que influenciaram a atividade e a organização social.
  • Cada texto estabelece condições que, de alguma forma, são consideradas pelas atividades subsequentes e pelos produtores de novos textos.
  • Os textos da esfera escolar, no exemplo citado, criam realidades e fatos, pois os alunos e os professores vivem de modo interativo, em um modo de vida organizado, confirmado por suas ações.
  • Cada texto bem-sucedido cria para seus leitores um fato social que consiste em ação social significativa, realizada por meio de uma forma textual padronizada, típica, compreensível em sua totalidade, por sua função e propósito. Daí a noção de gÊnero textual.

Charge reflexiva sobre moradores de rua

É bastante comum nas imagens que circulam pela internet, termos textos não verbais que falam mais alto que qualquer texto verbal. Já vi dinâmicas que apelavam, ou melhor, usavam o mesmo recurso argumentativo deste que você pode ver na imagem. Nas dinâmicas falava-se que o maior impedimento para o sucesso estava dentro daquela caixa. Quando a pessoa olhada, sentia o baque e entendia que se as coisas não aconteciam é porque nós mesmos colocamos os limites. No caso,a pessoa que se olhava no espelho. Na imagem abaixo vemos uma situação bastante comum nas ruas hoje em dia. A presença de pedintes à porta de lugares movimentados é constante e, semelhante a pessoas invisíveis, continuam ali dia após dia. Bem, não farei a descrição da imagem. As aplicações são muitas  e podem muito bem servir para as aulas de interpretação de textos no Ensino Médio.


Exercício de análise de texto dissertativo

A proposta temática abaixo foi exigida por uma famosa banca de vestibular:
O cartum abaixo usa o recurso do humor para sugerir um tipo de relação entre o homem e os meios de comunicação.


Para você, os meios de comunicação devem sofrer alguma forma de controle, ou todo controle representa uma censura indevida?
Observe o texto argumentativo abaixo produzido por um candidato:

Monstros lutando com a informação
A imprensa de Gutenberg ajudou no processo e na fundação da imprensa contemporânea. Com a facilidade da difusão, os meios de comunicação se desenvolveram e atuaram de maneira primordial para o avanço da liberdade inicial. Essa relação entre mídia, informação e poder sempre foi controversa, em função do poder subversivo e controlador hipnotizante da primeira. A mídia é também veiculadora de informação e portadora de dados importantes para a opinião pública.
Os meios de comunicação escondem a percepção fundamental de que toda visão da realidade é uma visão da realidade. A pesquisa pode ser radical, o dado é verdadeiro e o jornalista é sério, mas, mesmo nesse mundo perfeito, o recorte torna a informação parcial. A informação pode ser tomada apenas, então, como um recorte, uma ideia comprometida.
Nesse sentido, é estranha a problemática encontrada com relação a temas tão polêmicos quanto a liberdade dos meios. Quando se exige democracia, liberdade de informação, o que se quer é pluralidade de visões. Ela não pressupõe que exista uma visão absoluta e a maioria chegará a ela. O sistema político vigente visa alcançar o mais próximo da justiça a partir da ligação entre visões e de interpretações do real e os meios de comunicação possibilitam essas diversas possibilidades de olhares. Quanto mais olhar, menos lugares enegrecidos em uma sociedade historicamente marcada pela injustiça baseada no discurso de poder.
Portanto, a liberdade de imprensa não deve ser questionada em nenhum sentido, já que é uma conquista. Obviamente excessos são cometidos pelos jornais. Entretanto, com a percepção de que existe uma realidade plural, a melhor forma de combater uma visão única é apresentar a diversidade. O perigoso, nesse caso, é surgir o monstro do autoritarismo que ronda. Política e internet, por exemplo, podem se ajudar reciprocamente em uma evolução que é necessária e deve ser constante, tornando qualquer controle uma afronta a um quadro que queira ser um conjunto de fragmentos libertários.
A partir da leitura crítica da redação, responda às questões:

1.  Em uma dissertação argumentativa, uma das funções básicas do primeiro parágrafo, o de introdução, além de contextualizar o tema é também o de apresentar a tese - o posicionamento a respeito do tema. Na sua opinião, o candidato executou essa tarefa com perfeição? Justifique a sua resposta, tecendo um comentário crítico.

2.  Observe o segundo parágrafo do texto, o primeiro de DESENVOLVIMENTO:
"Os meios de comunicação escondem a percepção fundamental de que toda visão da realidade é uma visão da realidade. A pesquisa pode ser radical, o dado é verdadeiro e o jornalista é sério, mas, mesmo nesse mundo perfeito, o recorte torna a informação parcial. A informação pode ser tomada apenas, então, como um recorte, uma ideia comprometida."

É perceptível nele uma falha no que diz respeito à construção coesiva dos períodos. Não há um elo semântico bem montado. Porém, além dessa falha, pode-se apontar também algo relacionado ao argumento em si. Qual a sua avaliação da qualidade do argumento? É convincente? Construa sua resposta com a devida justificativa.

3.  Na conclusão dissertativa, é comum ratificar a visão defendida ao longo do texto a fim de fechar seu teor argumentativo. No entanto, essa retomada da tese tem que ser feita de maneira ampla para que todos os argumentos sejam contemplados.

O parágrafo em análise na redação acima cumpriu com eficácia tais comandos? Justifique a sua resposta.

Solução comentada dos itens

1.  Uma falha ainda aparece no parágrafo. O redator demonstra entendimento claro do tema, mas se limita a expô-lo. A introdução deve pelo menos prenunciar a tese, sugerir uma linha de abordagem, se não quiser apresentar o posicionamento na íntegra.

2.  A ideia que sustenta a tese deve ser aprofundada. No desenvolvimento em questão, o argumento baseado na parcialidade da imprensa é apenas repetido de maneira constante. Não há explicações sobre o tópico frasal. O redator poderia também aprofundar as ideias trabalhadas com alguma outra estratégia como a causa e a consequência, por exemplo. O desenvolvimento, ainda, não apresenta nenhum recurso criativo que o diferencie da média. Nenhuma estratégia de texto circuito foi pensada previamente.

3.  Não. O principal problema da conclusão em questão é afirmar a tese com uma séria restrição do tema. A UERJ em 2008 propôs uma abordagem ampla na questão da informação ao usar o termo "meios de comunicação". O redator afirmou uma tese que não abrange todo o tema e ainda não abarca os argumentos apresentados porque trata apenas da imprensa. A banca examinadora poderia considerar uma restrição parcial, que seria atenuada pelo fato de a abordagem no texto todo ter sido ampla.

4.  Não houve pertinência, pois o termo "monstro do autoritarismo" não faz sentido com o restante do parágrafo e não encontra par em nenhum momento do texto.

5.  O parágrafo em questão apresenta uma ideia argumentativa e ela é aprofundada com certa competência. Entretanto, o trecho apresenta alguns erros estruturais.  Há, a  princípio,  um desequilíbrio de tamanho  na  relação entre esse desenvolvimento e os outros parágrafos. Provavelmente isso aconteceu porque ele foi bem aprofundado. Além disso, a coesão com o segmento anterior se dá de maneira muito explícita e com um período esvaziado de sentido. Isso torna o texto mais burocrático. Vale a pena, nesse momento, elaborar uma frase que retome parcialmente a ideia anterior, dando o gancho para o prosseguimento do argumento. No terceiro período, a retomada acontece de forma ambígua. O pronome pessoa "Ela" pode se referira mais de um termo anterior. Isso provoca uma falha coesiva. A melhor maneira de resolver isso é usar um sinônimo ou repetir a própria palavra, correndo o risco de provocar "eco". O verbo visar está sendo utilizado no sentido de "ter como objetivo". Nesse uso, ele é um verbo transitivo indireto. Então, ocorre um erro no critério de modalidade de língua portuguesa. No penúltimo período, aparece uma repetição: "possibilitam"e "possibilidade". Pode-se usar um sinônimo também. É visível, ainda, a falta de um recurso diferencial.

Satisfazer o Ego - Charge sobre o Facebook

Sempre vejo charges relacionadas ao uso excessivo que algumas pessoas fazem do Facebook. realmente eu concordo que pé instigante. Nem tanto por saber o que os amigos publicam, mas por ver a quantidade de informação produzida na internet. Informação de qualidade. Existe sim muita gente preocupada em disseminar conhecimento e é inegável que saber usar a ferramenta é essencial para que não se fique por horas rodando a timeline vendo mensagens e mais mensagens, vídeos, imagens e tudo mais que atrai a atenção de tal forma que mesmo eu, usuário antigo da internet, me vejo, às vezes, parado acompanhando as muitas menções e tudo mais ali na tela. Mas há quem tenha problemas com isso. Vejam a imagem abaixo que instigante.



Nela vê-se as letras usadas como ícone da rede social funcionando como espécies de algemas. Não sei bem o nome disso, mas costumo ver em filmes de tortura. A referência aqui é clara e dispensa maiores comentários. O Facebook nos prende. Concordo que é uma prisão da qual podemos sair rapidamente, mas quem é que disse que as pessoas desejam sair de lá?

Já guardei para minhas aulas de produção de texto no próximo ano. Como tema dissertativo, funcionará perfeitamente para os alunos que enfrentarão o vestibular e o Enem.

E você? tem alguma sugestão de tema que poderíamos trabalhar com esta imagem?

Temas?


  • Controle social.
  • Dependência tecnológica das redes sociais (ficou ambíguo, né?)

Modelo de redação sobre o tema XENOFOBIA

Neste blog o foco sempre foi a análise de charges para desenvolver textos dissertativos no vestibular. Mas não se pode negar que o texto escrito é ainda o "mais importante" na hora de escrever e que isso, junto com a habilidade de ler textos não verbais ajuda demais na hora da prova. O texto abaixo, no entanto, completa o artigo que publiquei lá no blog de redação. Este texto é mais um exemplo de dissertação publicada por alunos a respeito do tema que usamos para mostrar como fazer delimitação de tema na dissertação. É mais um artigo lá no projeto redação para o Enem e serve como modelo para preparação pro vestibular. Estude e veja as características da prova que vai fazer. Procure conhecer a banca, os critério de correção e as listas de livros que são pedidos para a prova de Português. Veja, então, o modelo de dissertação que hoje trazemos para vocês.

O ódio fruto da crise
O surgimento do neonazismo e do neofascismo é um dos efeitos colaterais mais alarmantes decorrentes da política do capitalismo selvagem que reina no atual mundo globalizado. Desprezar tal ocorrência implica um total desconhecimento dos absurdos propagados pela procura obsessiva do lucro em desconsideração dos fatores sociais.
Com a queda do comunismo, na geopolítica fala-se agora de um mundo multipolarizado, com diversos focos de influência. Em prol desta filosofia, escolhe-se parceiros para a formação de blocos econômicos, visando proporcionar maior prosperidade entre tais países.
Contudo, se na teoria tudo parece caminhar para a felicidade mundial, na prática a realidade é outra. A concentração dos recursos volta-se prioritariamente a implementações tecnológicas, aumentando a concorrência mas eliminando postos de emprego. As políticas nacionais dão incentivos fiscais às empresas, que nem sempre correspondem às expectativas, proporcionando desigualdades económicas ainda maiores, havendo, por outro lado, descaso com os projetos sociais.
Ora, colocado à parte o recrudescimento dos conflitos étnicos na Europa e Oriente Médio, por serem preexistentes à nova ordem mundial, a formação de novos grupos radicais é facilmente justificada por essa conjuntura. Com efeito, o indivíduo desfavorecido em determinada sociedade é mais facilmente suscetível a eleger os "culpados"por sua situação, seja de dificuldades financeiras, de desemprego ou de pobreza. E é exatamente este fenómeno que pode ser reputado o mais nocivo nos dias atuais, não só por ser mortífero, mas também por ressuscitar o fantasma das grandes guerras da primeira metade do século XX.
Portanto, é imprescindível que os políticos do mundo globalizado envidem esforços no sentido de refrear a ânsia capitalista, estimulando o desenvolvimento do indivíduo nacional tanto social como economicamente, através de uma injeção de capital nos setores mais carentes como a educação e a saúde. A mera repressão dos movimentos radicais certamente surte menos efeito do que a criação de novos empregos, objetivo que pode ser alcançado com uma reformulação das políticas tributárias e trabalhistas.

Exemplo de charge sobre Xenofobia


Veja ainda uma charge que você pode usar como texto na coletânea sobre o tema deste artigo.
Observe que ela faz um recorte no tema, ela aborda a questão do programa Mais Médicos do Governo Federal através do qual médicos cubanos vêm ao brasil para completar as vagas deixadas por brasileiros nos hospitais e postos de saúde de comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Charge sobre Formação de palavras

Esta imagem não é necessariamente uma charge. Se fôssemos classificá-la dentro dos Gêneros Textuais, ela é uma tirinha. Neste caso, temos uma imagem perfeita para trabalharmos com um conteúdo próprio para os primeiros anos do ensino médio. Ela está num dos meus exercícios aplicados no Ensino Médio. Não há muita dificuldade em entendê-la, pois o que vemos tanto no texto verbal com no não-verbal é evidente. Temos uma fila de camelos esperando a vez de pular numa cama elástica. O humor da tirinha está na placa que vemos em segundo plano. Nela se lê "camelástica". A palavra, formada por aglutinação visto que na junção das palavras camelo e elástica, chama a nossa atenção. Para quem não se lembra, o processo é chamado de aglutinação porque há perda fonética na junção delas. Se você quiser ir além, pode ainda elaborar uma pergunta falando sobre outra figura de linguagem presente na imagem. O barulho do camelo pulando na "camelástica" é uma onomatopeia.


Deixe seu comentário abaixo a respeito do que achou desta charge. Um abraço do professor Rogério Souza.

ANÁLISE DE CHARGE SOBRE A REFORMA ORTOGRÁFICA

A Reforma Ortográfica tem sido assunto recorrente em minhas aulas para o Ensino Médio. Considerando que é um tipo de texto usado muitas vezes nos vestibulares, considero importantes os exercícios de interpretação de charges. Não só pela proximidade da data limite em que todos os livros deverão estar adequados à nova ortografia, mas também pela quantidade de alunos que farão vestibular. Este é também o assunto da charge abaixo.

Charge
Vejam como é difícil a vida de professor.

Nesta imagem temos, de forma simples, representados os dois lados mais interessados nas novas mudanças na ortografia. De um lado, o aluno e sua linguagem característica. Do outro, a figura da professora é emblemática.

Os elementos constitutivos dessa charge nos chamam a atenção para coisas simples e que são objeto de estudo dos teóricos da língua. O jovem usa uma linguagem própria de sua idade. A fala coloquial cheia de gírias traz em si também palavras estrangeiras. Isso demonstra a influência dos outros idiomas no linguajar dos jovens.
Sobre este aspecto, o uso do negrito destaca, a meu ver, a permanência desse tipo de linguajar como predominante.

Já a figura da professora revela uma faceta interessante sobre alguns docentes. O ponto de interrogação sobre sua cabeça, mostra que ela não está entendendo nada do que o jovem diz. Isso mostra o despreparo dela para lidar com uma linguagem própria da idade de seus alunos o que acaba sendo uma barreira dentro das próprias aulas, pois o professor usa uma língua que o aluno não entende. O aluno usa uma língua que o professor não entende.
Aproximar esses dois mundos é tarefa do professor e disso depende o sucesso de seu trabalho.